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Gol a R$ 76 mil? Por que os carros 'populares' estão ficando tão caros

Por Lucas Silva 28 Fevereiro 2021 Publicado em Economia
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No início de fevereiro, uma notícia causou impacto entre as pessoas que buscam comprar um carro 0 km. O Volkswagen Gol, o carro mais barato da marca no Brasil, viu seus preços passarem de R$ 76 mil em sua versão mais completa e com opcionais. E isso levantou a dúvida: por que os carros de entrada das montadoras estão ficando tão caros?

 

Vale lembrar que esse fenômeno não está afetando apenas os modelos da VW. Um Renault Kwid, modelo subcompacto cujo projeto tem origem indiana, já custa hoje R$ 39.390 em sua versão mais básica Life, que não possui ar-condicionado ou direção assistida. Com tais equipamentos, na configuração intermediária Zen, o preço pula para R$ 46.990.

 

Pandemia tem parte da culpa

 

Quando o novo coronavírus mostrou os primeiros impactos no Brasil, as principais montadoras do país precisaram suspender suas atividades nas linhas de montagem como forma de impedir a propagação da doença. A paralisação no segundo trimestre de 2020 pode ter causado prejuízos de até R$ 42 bilhões, de acordo com dados da Bright Consulting, especializada no setor automotivo.

 

Os reajustes constantes de preços ao longo do ano passado foram uma forma de amenizar as perdas, mas este é apenas um dos motivos.

 

Eletrônica não embarcada

 

Na longa lista de itens que estão em falta --e desacelerando o retorno do ritmo de produção-- estão processadores, chips e semicondutores. Apesar de parecerem pertencer a um computador ou celular, são fundamentais para o funcionamento de um automóvel atual e até mesmo para seus sistemas de segurança ativa e passiva.

 

Cada vez mais dependentes de sensores, radares, câmeras e centrais multimídias, o carro moderno tem mais capacidade de processamento hoje do que alguns computadores de fato. Sem eles, a linha de montagem para --e foi exatamente o que aconteceu.

 

Peso dos impostos

A cadeia tributária no Brasil é uma das mais complexas do mundo, com tributações nas esferas federal, estadual e municipal. Então, o valor de um mesmo carro em diferentes locais pode variar. Em São Paulo, por exemplo, o governo do estado aumentou logo em janeiro a alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de 12% para 13,3%.

 

Um levantamento recente da BDO Brasil mostrou que, no caso dos veículos 0 km com motor até 1.0, os impostos correspondem a até 36,53% do preço total. Em carros acima de 1.0 até 2.0, esse número sobe para 43,13%.

 

Voltando para o Volkswagen Gol: sua versão mais barata custa hoje R$ 56.190. Sem os impostos, considerando-se sua versão 1.0, o carro custaria R$ 29.664.

 

Governo está mais exigente (e você também)

 

Há 50 anos, fabricar um carro era algo que tinha poucas exigências. Hoje, já não é mais o caso. Questões ambientais e de segurança no tráfego fazem com que governos de todo mundo, não só no Brasil, exijam metas bem restritas de emissões de poluentes e de proteção para os passageiros.

 

Para emitir menos poluentes, a solução não sai barata. Desde conversores catalíticos a modernos sistemas de desligamento de parte dos cilindros do motor, as fábricas investem cada vez mais para que seus veículos poluam menos. Tal investimento gera custos, que se refletem nos preços

 

O mesmo acontece com sistemas de segurança. Até na hora de projetar o carro, sua estrutura consome meses de desenvolvimento para garantir que os ocupantes estejam o mais protegidos quanto possível em caso de acidente.

Itens como airbags e freios ABS se tornaram obrigatórios no Brasil em 2014.

 

Quanto mais equipamento se exige, seja por lei ou por preferência do cliente, mais custo é adicionado ao valor final.

 

Fonte: CNN Brasil