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Vacinas contra gripe e Covid-19 disponíveis no SUS reduzem risco de infarto e AVC, diz artigo

Por Lucas Silva 22 Julho 2025 Publicado em Ciência
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(Via Folha de São Paulo) Uma diretriz recém-publicada pela Sociedade Europeia de Cardiologia mostra que imunizantes como os contra gripe, Covid-19 e pneumococo, todos disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde), e também a vacina contra herpes zoster, que está em processo de incorporação, ajudam a reduzir o risco de infartos, derrames e agravamento da insuficiência cardíaca. Os benefícios são ainda maiores para idosos e pessoas com doenças crônicas.

 

Publicado em 30 de junho no European Heart Journal, o artigo é um consenso clínico que reúne e analisa evidências científicas sobre o papel da vacinação na prevenção de eventos cardiovasculares. A revisão foca em imunizantes contra vírus e bactérias que, ao causarem infecções respiratórias, aumentam o risco cardiovascular.

 

A partir de estudos observacionais e ensaios clínicos randomizados, os autores avaliam o impacto dessas vacinas na redução de hospitalizações, mortalidade e outros desfechos graves. Ou seja, as vacinas vão além da prevenção de infecções.

 

“As vacinas não previnem apenas doenças infecciosas. Hoje, elas são uma nova forma de prevenção cardiovascular”, diz a cardiologista Raphaela Garofo, especialista em cardiogeriatria e membro da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia). Segundo ela, a vacinação pode evitar a descompensação de doenças já existentes e proteger o coração de processos inflamatórios desencadeados por infecções.

 

Uma infecção respiratória aguda, explica Garofo, ativa o sistema imune e inflamatório, liberando substâncias como citocinas e fatores pró-trombóticos. Em pessoas com placas de gordura nas artérias, doença conhecida como aterosclerose, esse processo pode levar à instabilização da placa e ao infarto. Também há risco de agravamento de quadros como insuficiência cardíaca e arritmias.

 

O documento europeu destaca, por exemplo, que a vacinação contra a gripe reduz em até 60% o risco de infecção e está associada a uma queda de 30% nos eventos cardiovasculares mais graves. O estudo IAMI (Influenza Vaccination After Myocardial Infarction), que acompanhou pacientes após um infarto, mostrou redução de até 41% na mortalidade cardiovascular entre os vacinados.

 

Garofo cita ainda dados da diretriz que apontam redução de até 10% no risco cardiovascular com a vacina contra o pneumococo. “É uma prevenção custo-efetiva, especialmente considerando o envelhecimento da população e o aumento das doenças cardíacas com a idade”, diz.

 

“Na cardiologia, as vacinas não só previnem infecções, mas também evitam a descompensação de doenças de base, como insuficiência cardíaca e aterosclerose”, diz o cardiologista Fábio Argenta, diretor médico e sócio-fundador da rede Saúde Livre Vacinas. “É o que chamamos de prevenção secundária: reduzir internações, arritmias e até mortes causadas por infecções em quem já tem doença cardiovascular.”

 

A infecção pela Covid-19 também esteve associada a aumento expressivo de risco para eventos como infarto, arritmias, insuficiência cardíaca e morte, sobretudo no início da pandemia. Pacientes com doenças cardiovasculares prévias têm cerca de 30% mais chances de desenvolver covid longa —condição que pode incluir fadiga, dispneia e dor torácica. A vacinação ajudou a reduzir esse risco em até 43%.

 

Além da gripe e da Covid-19, outras vacinas também mostram impacto na saúde cardiovascular. A vacina contra herpes zoster, por exemplo, tem eficácia superior a 90% na prevenção da doença e foi associada a uma redução de mais de 50% nos eventos cardiovasculares. Já a vacina contra o VSR (vírus sincicial respiratório), indicada para idosos, mostrou 89% de eficácia na prevenção de infecções pulmonares.

 

A vacina contra o HPV, tradicionalmente usada na prevenção do câncer do colo do útero, também pode ter efeito protetor cardiovascular. Estudos associam a infecção por HPV a um risco até quatro vezes maior de doença arterial coronária e AVC. A vacinação, com eficácia próxima de 100%, foi associada à normalização desse risco em mulheres imunizadas.

 

“Esses dados vêm sendo confirmados por metanálises e revisões sistemáticas. E agora, com essa diretriz europeia, a vacinação passa a ser reconhecida como o quarto pilar da prevenção cardiovascular, ao lado do controle da hipertensão, diabetes e colesterol”, afirma Argenta.

 

Apesar da eficácia comprovada, a adesão à vacinação ainda enfrenta desafios. “Na prática clínica, a recomendação muitas vezes não é feita. E mesmo com vacinas disponíveis gratuitamente pelo SUS, como a da gripe e do pneumococo, a cobertura ainda é baixa”, diz a Garofo.

 

Argenta lembra que, após a pandemia, as taxas de vacinação caíram em todo o mundo, inclusive entre adultos e idosos. “Doenças que estavam controladas, como sarampo e coqueluche, voltaram a circular. A vacinação de grupos de risco, como os cardiopatas, precisa ser resgatada com urgência”, alerta.

 

Garofo defende que pacientes, sobretudo os com doenças crônicas, questionem seus médicos sobre a indicação de vacinas e que a recomendação esteja presente nas consultas, internações e nas campanhas sazonais.

 

“É importante lembrar que não são só os idosos que se beneficiam. Pessoas mais jovens com doenças cardiovasculares, transplantados, gestantes e imunossuprimidos também devem ser contemplados com essa estratégia. Vacinar é proteger o coração.”

 

Cobertura vacinal está baixa no Brasil

 

A taxa de cobertura vacinal contra o vírus influenza segue baixa, com apenas 44,79% do público prioritário imunizado, segundo dados atualizados na sexta-feira (18) no painel de vacinação do Ministério da Saúde.

 

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