Rodovias em Goiás com intenso fluxo de cargas do agronegócio
Rodovias em Goiás enfrentam um cenário de pressão crescente diante do avanço da produção agropecuária e do aumento do fluxo de cargas pesadas. Em um estado onde o escoamento de grãos, carnes, etanol de milho e insumos depende majoritariamente do transporte rodoviário, os dados mais recentes do Guia CNT de Segurança nas Rodovias 2026, com base na Pesquisa CNT de Rodovias 2025 e nos registros da Polícia Rodoviária Federal, acendem um alerta sobre segurança, qualidade do pavimento e pontos críticos nas estradas que cortam o território goiano.
O levantamento nacional aponta 72.476 acidentes nas rodovias federais em 2025, com 6.040 mortes e 83.490 feridos. No Centro-Oeste, onde Goiás ocupa posição estratégica, concentram-se corredores logísticos decisivos para o abastecimento interno e para as exportações do agro. O dado mais preocupante: sete dos dez trechos mais perigosos da região estão em território goiano.
Mais de 60% da produção agropecuária brasileira é transportada por rodovias. Isso inclui soja, milho, carnes, fertilizantes, defensivos e etanol, que percorrem milhares de quilômetros até portos, indústrias e centros de distribuição. A dependência do modal rodoviário transforma a segurança viária em fator direto de competitividade.
Rodovias e os gargalos estruturais em Goiás
O diagnóstico nacional revela problemas estruturais que impactam diretamente as rodovias goianas:
- 62,1% da malha apresenta algum tipo de deficiência
- 56,5% têm falhas no pavimento
- 49,6% registram deficiência na sinalização
- 62,2% apresentam problemas de geometria
- 2.146 pontos críticos identificados no país
No caso de Goiás, esses gargalos atingem eixos estratégicos como BR-153, BR-060, BR-364, BR-070 e BR-452, fundamentais para o escoamento da produção, especialmente na região de Rio Verde, um dos maiores polos agroindustriais do Brasil.
As colisões representam 61,8% dos acidentes, enquanto o tráfego na contramão lidera as causas de morte. Em média, são 8 mortes a cada 100 acidentes nas rodovias federais.
BR-153: eixo vital do transporte em Goiás
A BR-153, conhecida como Belém-Brasília, é uma das rodovias mais estratégicas do país. Corta Goiás de norte a sul, conectando polos como Porangatu, Uruaçu, Anápolis, Goiânia, Morrinhos e Itumbiara. Trechos de pista simples, alto volume de caminhões e travessias urbanas elevam o risco de colisões frontais — tipo de acidente mais letal segundo a CNT. Durante a safra, o fluxo intenso de cargas pressiona ainda mais a capacidade da rodovia.
BR-060 e BR-364: corredores estratégicos do agro
A BR-060 liga Goiânia ao Distrito Federal e ao Mato Grosso do Sul, sendo rota essencial para grãos, carnes e insumos.
Já a BR-364 é determinante para o Sudoeste goiano, principalmente para Rio Verde e Jataí, onde a produção de soja, milho e proteína animal cresce de forma consistente. Com a expansão do etanol de milho e da segunda safra, o volume de caminhões aumentou significativamente.
Os reflexos dos gargalos são claros: Maior risco de tombamentos; Crescimento de saídas de pista e aumento no custo de manutenção da frota.
BR-452 e os gargalos logísticos em Rio Verde
A BR-452 é um dos principais eixos logísticos de Goiás. Liga Rio Verde a Itumbiara e segue até Uberlândia (MG), conectando o Sudoeste goiano ao Triângulo Mineiro e à BR-050, com acesso ao porto de Santos.
A rodovia é fundamental para:
- Escoamento de grãos
- Transporte de carnes e derivados
- Integração interestadual
- Conexão com corredores de exportação
Com forte presença de bitrens e rodotrens, a BR-452 opera próxima ao limite em vários trechos. Segmentos de pista simples, cruzamentos em nível e sinalização deficiente elevam o risco operacional. Para o produtor rural, estrada ruim significa impacto direto na rentabilidade.
Sinalização, geometria e segurança nas rodovias
Quase metade das rodovias brasileiras apresenta deficiência de sinalização, e mais de 62% têm problemas de geometria. Em Goiás, isso se traduz em: Curvas mal projetadas; Faixas de ultrapassagem insuficientes; Acostamentos degradados e trechos com visibilidade comprometida. Durante o pico da safra, essa combinação aumenta significativamente os riscos.
Impacto econômico dos gargalos nas rodovias
A precariedade das rodovias não afeta apenas a segurança — ela pesa diretamente no bolso do produtor:
- Maior consumo de diesel
- Desgaste acelerado de pneus e suspensão
- Elevação do valor do frete
- Risco de perda de carga
- Aumento no tempo de transporte
Em um estado como Goiás, onde o agro é motor da economia, a infraestrutura rodoviária precisa acompanhar o ritmo da produção.
Goiás consolidou-se como potência agroindustrial, com destaque para Rio Verde. No entanto, sua competitividade depende de rodovias seguras e eficientes.
O conceito de “rodovias que perdoam”, defendido pela CNT, propõe investimentos em:
- Defensas metálicas adequadas
- Melhor sinalização
- Faixas de alerta
- Dispositivos de absorção de impacto
- Adequações geométricas
Sem investimentos estruturais e manutenção contínua, os gargalos podem limitar o avanço do setor. O crescimento do agro exige infraestrutura à altura.
As rodovias são hoje o principal elo entre o campo e o mercado. Se esse elo falha, toda a cadeia produtiva sente o impacto.
fonte: www.rioverderural.com.br,



































