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Chuva em Setembro, Alerta Antes do Plantio e os Perigos Climáticos Até o Final do Ano!

Por Carlos André 02 Setembro 2026 Publicado em Estado
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Previsão do tempo em Goiás indica chuvas irregulares e alerta para a Safra 2026

A previsão do tempo em Goiás aponta para um cenário de alta instabilidade atmosférica e exige cautela extrema do produtor rural na largada do plantio. Com o fim do vazio sanitário se aproximando e as primeiras precipitações voltando ao radar, a expectativa nos campos do Centro-Oeste ganha forte tração. No entanto, o retorno das águas acompanha variações térmicas severas e um padrão de distribuição que pode comprometer o arranque das lavouras de verão.

Para detalhar o comportamento do clima e orientar o planejamento operacional dos agricultores goianos, o site Rio Verde Rural entrevistou de forma exclusiva Fernando Cabral, engenheiro agrônomo e pesquisador do Centro de Excelência em Agricultura Exponencial (CEAGRE). Em uma análise detalhada sobre o impacto das dinâmicas atmosféricas regionais, o especialista esclarece os mitos em torno do fenômeno climático do momento, mapeia as regiões mais impactadas no estado e revela quais estratégias de manejo de solo são determinantes para mitigar os riscos térmicos e hídricos ao longo do ciclo produtivo.

Super El Niño 2026: Mito do marketing ou risco real para o produtor?

Nos últimos meses, a expressão “Super El Niño” dominou as manchetes da mídia geral, gerando apreensão e incertezas no setor produtivo. Contudo, do ponto de vista estritamente técnico, a nomenclatura não faz parte da literatura oficial da meteorologia. O pesquisador do CEAGRE faz questão de desmistificar o conceito e explicar a real magnitude do evento.

“Primeiro, a questão do ‘super El Niño’, esse nome foi algo que a mídia colocou para poder engajar mesmo, mas tecnicamente não existe essa classificação. O que nós temos hoje de previsão é que ele deve atingir o nível de um El Niño muito forte, que é a última classificação que nós temos. Mas quando se observa historicamente, a gente também pode ter aquele que seja o El Niño mais forte registrado até hoje. É claro que isso tem que esperar acontecer, chegar nessa intensidade para esse fato ser validado”, afirma Fernando Cabral.

O pesquisador ressalta que o aquecimento do Oceano Pacífico não funciona como um bloqueador simplista de precipitações, mas opera alterando profundamente a circulação da atmosfera e redistribuindo os volumes acumulados.

“O El Niño não é um evento meteorológico decorrente apenas das mudanças climáticas; desde que a gente estuda a meteorologia ele existe, é um evento de oscilação padrão. Ele não é um bloqueador de chuvas, mas muda a dinâmica da atmosfera. E essa mudança acaba alterando o regime de chuva e o regime de temperatura. Como a região central do país fica numa zona de transição, onde ele afeta de forma mais negativa o Norte e Nordeste, mas favorece a região Sul, nós acabamos tendo temperaturas altas e chuvas muito irregulares”, detalha.

Chuvas em Goiás no mês de setembro: Onde e quanto vai chover?

Com a aproximação de setembro, a ansiedade em relação ao volume acumulado cresce no meio rural. Segundo a previsão do tempo em Goiás, os primeiros volumes isolados já começam a registrar presença no mapa goiano, rompendo pontualmente a estiagem prolongada.

Distribuição regional das precipitações

  • Região Centro-Sul e Sudoeste: Áreas com maior probabilidade de registrar precipitações acumuladas no início do mês.
  • Extremo Sul e Divisa com MS/MG: Municípios limítrofes tendem a receber os maiores volumes devido ao alinhamento com frentes frias vindas do Sul do país.
  • Norte de Goiás: O tempo seco ainda deve predominar, com chuvas escassas e irregulares durante a maior parte do período.

“A gente já pode sim observar essas primeiras chuvas, principalmente no centro-sul do estado. A região mais norte ainda vai ter chuvas escassas, mas na região centro-sul e mais especificamente no sudoeste ou extremo-sul é onde teremos a maior ocorrência. A previsão para essas regiões é que as chuvas no mês de setembro têm grande chance de ficar acima da média histórica”, destaca Fernando Cabral.

O especialista explica que a média de setembro costuma ser baixa para municípios como Rio Verde, variando historicamente entre 20 mm e 40 mm. No entanto, a combinação de fatores atmosféricos raros deve impulsionar o volume na primeira quinzena.

“A primeira quinzena de setembro vai ser aquela com maior instabilidade atmosférica. Uma, pela ocorrência de frentes frias e sistemas de baixa pressão no Sul e Sudeste; e outra, favorecida por um evento que quase ninguém fala: a Oscilação de Madden-Julian. Estamos numa transição de fases desse evento sobre a América do Sul que beneficia a ocorrência de pancadas de chuva, ainda que isoladas.”

Fim do vazio sanitário e o início da safra de soja: É hora de ligar os tratores?

Mesmo com a indicação de temporais isolados que podem acumular 60 mm ou mais em determinados pontos do Sudoeste de Goiás, o momento não é para precipitações no planejamento de campo. O encerramento do vazio sanitário libera a semeadura, mas a segurança climática ainda não está consolidada para a safra de soja.

Período[Setembro][Outubro/Novembro][Dezembro/Janeiro]
Cenário ClimáticoPrimeiras chuvasJanela Crítica de SecaChuvas Persistentes
Risco para a LavouraAlta irregularidadeRisco de Veranicos/AbortoRisco na Colheita

Fernando Cabral emite um alerta severo aos produtores rurais sobre a falsa sensação de segurança que as pancadas do início de setembro podem transmitir:

“O produtor ainda tem que ficar muito cauteloso. Mesmo a partir do momento em que se abre a janela para o plantio e encerra o vazio sanitário, a gente ainda fica com essas previsões de chuvas muito irregulares e temperaturas se mantendo altas. As chuvas ocorrem, mas a temperatura quase não cai; ela cai momentaneamente e volta a subir. Isso cria um cenário em que o risco do plantio continua muito alto.”

Municípios beneficiados na fase inicial

  • Rio Verde
  • Jataí
  • Montividiu
  • Cidades na divisa com a região Central e Sul de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul

Veranico e irregularidade: Os perigos climáticos até o final do ano

A ausência de sistemas consolidados de ampla escala no centro do país atrasa o estabelecimento definitivo da estação chuvosa. A formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), principal responsável por garantir chuvas persistentes e abrangentes no Centro-Oeste, pode ser prejudicada ou retardada pela atuação do El Niño 2026.

“Enquanto a gente não tiver a previsão de formação e persistência da ZCAS, não devemos ter persistência de chuvas. O que os modelos nos mostram hoje é um cenário de chuvas irregulares ao longo de praticamente todo o ano. Aí, meses com chuvas acima da média e até de forma prejudicial podem ocorrer mais avançados, como dezembro, janeiro e fevereiro. Até lá, continuamos com episódios frequentes de veranico e calor excessivo”, explica o pesquisador do CEAGRE.

Janela crítica: O risco do abortamento floral até dezembro

O período que se estende de outubro até a primeira quinzena de dezembro é classificado pelos peritos meteorológicos como a janela mais crítica para quem vai iniciar o cultivo do grão. A combinação de radiação intensa, baixa umidade relativa do ar e irregularidade nas pancadas de chuva pode comprometer o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo.

“Até a primeira quinzena de dezembro é a janela mais crítica do ponto de vista de falta de chuvas para a primeira safra. Aquele produtor que conseguiu fazer a semeadura porque teve uma umidade inicial pode enfrentar lá na frente essa escassez. A planta que se estabeleceu bem começa a sofrer, apresentando abortamento de estruturas reprodutivas e dificuldade no enchimento de grão por conta do estresse térmico e hídrico”, alerta Fernando.

Manejo do solo: A principal ferramenta de mitigação hídrica

Diante de um panorama marcado pela incerteza pluviométrica e oscilações extremas de temperatura, a tecnologia aplicada diretamente na estrutura da terra surge como a linha de defesa mais eficiente à disposição do agricultor.

Para garantir resiliência operacional durante a safra de soja, o pesquisador orienta focar na construção do perfil do solo em três dimensões fundamentais:

  • Equilíbrio Químico: Correção profunda de acidez e descompactação de camadas com excesso de alumínio.
  • Equilíbrio Biológico: Estímulo à microbiota do solo para ampliar a ciclagem de nutrientes e a retenção hídrica.
  • Equilíbrio Físico: Construção de palhada eficiente e estrutura física que permita o aprofundamento radicular das plantas.

“A recomendação que mais temos feito aos produtores é o trabalho inicial com o solo. Ele é o principal mitigador, seja nesta safra ou nas próximas. Ter um solo biologicamente, quimicamente e fisicamente equilibrado — algo que poucos olham na totalidade — traz uma segurança térmica e hídrica que nenhum outro produto comercial consegue entregar. Esse é o principal pilar para o produtor sair na frente diante das adversidades climáticas”, conclui Fernando Cabral.

 

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